No Vietname, numa praia em Ha Long Bay, observei famílias inteiras a viver um momento — através do ecrã. Quanto mais observava, mais me perturbava uma coisa simples: ninguém parecia estar realmente ali. Fui fotografar.
Seaside Harmony é um projeto de fotografia documental realizado em Ha Long Bay, Vietname, sobre a cultura visual contemporânea e a forma como documentamos — e perdemos — os momentos que vivemos.
Foi numa tarde normal nesta baía icónica do Vietname. Famílias inteiras vestidas de forma idêntica, posicionadas em grupo, repetindo poses enquanto telemóveis e câmaras registavam cada movimento ensaiado. Ao longo da praia, as roupas coordenadas criavam composições harmoniosas que contrastavam com as ilhas calcárias ao fundo — e havia algo simultaneamente belo e inquietante naquilo.
Fiquei a observar. E quanto mais observava, mais me perturbava uma coisa simples: ninguém parecia estar realmente ali.
O momento que deveria ser de encontro — de presença, de ligação genuína — tinha sido substituído por uma coreografia. Momentos espontâneos, como banhistas que entravam no mar ainda vestidos com roupa de cidade, revelavam o encontro entre o quotidiano urbano e o ambiente marítimo. Mas mesmo esses momentos acabavam capturados, arquivados, publicados.
É este o paradoxo que me interessa documentar: não a tecnologia em si, mas o que fazemos com ela. A forma como transformamos experiências reais em conteúdo curado — e como, nesse processo, perdemos precisamente o que íamos à procura.
Este trabalho foi distinguido com o BIFA 2024 — Bronze na categoria People/Lifestyle e escolha dos críticos 2024 do Lensculture
No Vietname, numa praia em Ha Long Bay, observei famílias inteiras a viver um momento — através do ecrã. Quanto mais observava, mais me perturbava uma coisa simples: ninguém parecia estar realmente ali. Fui fotografar.
Seaside Harmony é um projeto de fotografia documental realizado em Ha Long Bay, Vietname, sobre a cultura visual contemporânea e a forma como documentamos — e perdemos — os momentos que vivemos.
Foi numa tarde normal nesta baía icónica do Vietname. Famílias inteiras vestidas de forma idêntica, posicionadas em grupo, repetindo poses enquanto telemóveis e câmaras registavam cada movimento ensaiado. Ao longo da praia, as roupas coordenadas criavam composições harmoniosas que contrastavam com as ilhas calcárias ao fundo — e havia algo simultaneamente belo e inquietante naquilo.
Fiquei a observar. E quanto mais observava, mais me perturbava uma coisa simples: ninguém parecia estar realmente ali.
O momento que deveria ser de encontro — de presença, de ligação genuína — tinha sido substituído por uma coreografia. Momentos espontâneos, como banhistas que entravam no mar ainda vestidos com roupa de cidade, revelavam o encontro entre o quotidiano urbano e o ambiente marítimo. Mas mesmo esses momentos acabavam capturados, arquivados, publicados.
É este o paradoxo que me interessa documentar: não a tecnologia em si, mas o que fazemos com ela. A forma como transformamos experiências reais em conteúdo curado — e como, nesse processo, perdemos precisamente o que íamos à procura.
Este trabalho foi distinguido com o BIFA 2024 — Bronze na categoria People/Lifestyle e escolha dos críticos 2024 do Lensculture